26.02.2020 | Saímos cedo do hostel e, dessa vez, chegamos na estação de trem com bastante antecendência. Gato escaldado… 😅 (quem não entendeu, dá uma olhada no post anterior)

Essa seria nossa primeira viagem noturna de trem na Índia. A malha de trem da Índia é excelente e super acessível, mas ainda assim é pequena para a enorme população que viaja diariamente. Os vagões convencionais acabam normalmente lotados, por conta disso decidimos não arriscar e reservarmos uma cabine na 1a classe. Além disso, teríamos apenas 1 noite em Hampi, então precisávamos de um pouco de descanso. Pagamos cerca de R$ 200 por uma cabine exclusiva com 2 camas e passamos a noite tranquilos. 😉
Hampi é um desses locais na Índia que nunca tínhamos ouvido falar, mas que todos viajantes que cruzamos pelo caminho recomendavam. E logo entenderíamos porquê. Hampi é patrimônio mundial da humanidade por conta de suas ruínas centenárias. No século 14, a cidade obteve seu esplendor durante o império Vijayanagara, um dos mais importantes reinos hindus da Índia, que reinou na região por mais de 200 anos e foi responsável pela maior parte dos monumentos construídos em pedra que resistem até os dias atuais. Hampi, inclusive, foi a segunda cidade mais populosa do mundo nessa época, com 500.000 habitantes, atrás apenas de Pequim na China. 😳
Nossa passagem por ali seria curta, teríamos apenas 1 dia e meio. Logo que chegamos na estação, fomos apanhados por um motorista de tuktuk enviado pela pousada. Ele foi super simpático conosco e explicou que as atrações de Hampi eram um pouco afastadas e se ofereceu para passar o dia com a gente. Depois de uma rápida pesquisa, verificamos que ele tinha razão e seria bem complicado fazer tudo sozinho em tão pouco tempo. Assim, fechamos com ele e depois de um banho e um bom café começamos o tour.
De cara, fomos direto para uma das principais atrações de Hampi: o Vittal Temple. Construído no século 16, o templo é um dos mais belos e conservados de Hampi. Localizado próximo às margens do Rio Tungabhadra e cercado de verde, só a caminhada até o portal já é especial.


A estrutura mais famosa do templo é o Stone Chariot (uma espécie de “vagão em pedra”), que representa o veículo de Vishnu, um dos principais deuses hindus. Outra curiosidade do local são os “pilares musicais” do templo principal que, quando tocados, emitem sons como instrumentos musicais. É bem impressionante e a engenharia por trás dos pilares até hoje é um certo mistério. 🤔








De lá, passamos por vários outros monumentos, entre eles:
- Queen’s Bath: apesar do nome fazer referência às rainhas, o local provavelmente servia como uma área de banho para toda a realeza


- Royal Enclosure: tido como o núcleo principal da antiga capital do império Vijayanagara. Dentre os destaques dessa área, está uma plataforma elevada que funcionava como área exclusiva da realeza durante desfiles e apresentações; e um poço escalonado que provavelmente servia como um banho público (aliás, há vários desses pela Índia e sempre rendem ótimas fotos 😁)



- Hazararama Temple: dedicado ao Lord Rama, uma das versões de Vishnu, este templo hindu é o único nos arredores do Royal Enclosure e chama atenção pelos detalhes preservados ao longo de séculos



- Zanana enclosure: esse complexo abrigava diversas estruturas, dentre elas o Lotus Mahal, uma linda estrutura tida como um palácio recreacional da realeza; e o Elephant Stables, ou estábulos de elefantes, com suas 11 câmaras enormes que abrigavam elefantes que serviam como meio de transporte da época 🐘😱





- Estátuas gigantes de Lakshmi Narasimha e Shiva Lingam: a estátua de Lakhsmi é maior estátua monolítica de Hampi e representa uma das encarnações de Vishnu, metade humano (corpo) e metade leão (rosto). A segunda é uma representação de Shiva, em um formato mais simplista, de uma massa cilíndrica sobre um disco (também associados aos orgãos sexuais masculino e feminino). Essa representação é muito comum em vários templos hindus, mas esse foi sem dúvida o maior que vimos, com uma altura de 3m.


Além desses, ainda passados por um templo subterrâneo (nada demais) e por uma área conhecida como Bazaar, que provavelmente servia como uma área de comércio da antiga capital.



Pra fechar o dia, o motorista nos levou até um pequeno monte, Matanga Hill, para ver o pôr de sol. Depois de uns 15 minutos de subida, chegamos em um templo abandonado e lá ficamos curtindo o visual incrível das pedras que compõem a paisagem única de Hampi. 🌅🔝😃






Antes de jantar, ainda passamos rapidamente no Virupaksha Temple, único templo ativo de Hampi. O local atrai peregrinos desde o século 7, mas as suas estruturas principais foram construídas no século 15, durante o apogeu do império Vijayanagara. A entrada principal do templo é através de uma estrutura de 50m de altura, a qual fica toda iluminada durante a noite. Muito bonito, vale à pena visitar nesse horário.


Outra atração do templo são os vários animais que ‘habitam’ ali. Nas duas vezes que visitamos o templo (nessa noite e no dia seguinte) encontramos gatos, cachorros e muitos macacos. Sem falar nas vacas que, por serem sagradas na Índia, se comportam como animal de estimação e vivem se aproximando e pedindo carinho (ou ‘cowrinho’ 😁). Vimos até um elefante por lá que, segundo a crença, abençoa os fiéis. Ouvimos também que pela manhã é muito bonito ir até a margem do rio e acompanhar os elefantes se banhando.








Depois desse intensivo de Hampi, só queríamos comer e dormir. Jantamos em um local sugerido pelo guia e depois ele nos levou de volta pra pousada pra descansar. 🥱
No dia seguinte, aproveitamos o restante das horas que tínhamos disponíveis para voltar à área central de Hampi. Lá, passamos novamente pelo Virupaksha Temple. Além de poder observar melhor a arquitetura, mesmo sob o sol forte, aproveitamos para explorar um pouco mais o complexo e na saída fomos nós que viramos atração. Na Índia é bem comum as pessoas pedirem pra tirar foto com os estrangeiros, principalmente em cidades como Hampi, que recebe mais visitantes locais. Aproveitamos para registrar o momento também. 😊




Na sequência, visitamos 2 estátuas de Ganesha, um dos deuses mais adorados pelos hindus, que estão entre as maiores da Índia. As estátuas tem respectivamente 2,5 e 4,5m de altura e foram esculpidas em um só bloco de pedra. Ambas impressionam bastante pelo tamanho e detalhes e entram na longa lista de pontos imperdíveis de Hampi.










Para nos abrigarmos do sol forte, voltamos ao mesmo restaurante do dia anterior e passamos algumas horas ali entre o almoço e a hora de partir. A Gabi ainda aproveitou para explorar o comércio local e saiu de lá com umas comprinhas.
Há uma outra área famosa em Hampi, conhecida como hippie island (ou ilha hippie), que fica fora do roteiro turístico de Hampi. Por conta do tempo, não chegamos a conhecer, mas segundo ouvimos falar, é uma área mais tranquila e dominada por estrangeiros que buscam uma certa “fuga” da Índia tradicional. Lá, encontra-se facilmente álcool e até carne vermelha. Como estávamos no país há pouco tempo, decidimos pular, mas nem por isso deixamos de ficar curiosos com o local. Não vamos deixar de fora na próxima visita! 😁
No fim da tarde, voltamos rapidamente pra pousada para pegar nossas coisas, tomar uma ducha e lá fomos nós para a rodoviária esperar nosso ônibus. Tínhamos pela frente mais uma viagem noturna, mas dessa vez de volta para o litoral, mais especificamente para Goa, onde teríamos uns dias mais tranquilos. 😊

Deixar mensagem para Vera Nilse Cadore Piazza Cancelar resposta