Amã

27.01.2020 | Chegamos em Amã no final da tarde de uma segunda-feira, depois de mais de 4 horas de viagem de ônibus (JETT Bus) a partir de Aqaba, nossa porta de entrada no país. Por sorte, no próprio estacionamento da empresa tinha wi-fi e dali mesmo pedimos um uber para ir até o nosso AirBnB.

Mas acabamos descobrindo que Amã é cheia das ladeiras e ruelas, então encontrar o endereço certo pode ser um desafio. Desembarcamos do uber e caminhamos em direção a onde supostamente seria nosso apartamento, mas logo percebemos que havia algo errado. Enfim, lá fomos nós, subir ladeira carregando todas as nossas coisas e finalmente encontramos o prédio certo. Chegando lá, veio a segunda parte da missão: encontrar o zelador – era ele que nos entregaria a chave do apartamento. Aparentemente ele tinha saído e nós ficamos plantados na frente do prédio, com frio e fome. 😩

Enquanto esperávamos, alguns moradores que voltavam do trabalho também tentaram chamar o zelador, mas sem muito sucesso. Até que uma mulher, que passeava com seu bebê nos convidou para esperar no apartamento dela. Inicialmente ficamos acanhados – nossos costumes são tão diferentes dos muçulmanos que muitas vezes não sabemos como interagir. Depois de mais um tempo esperando, resolvemos aceitar a ajuda e lá fui eu (Gabi) bater na porta dela. E como a gente se surpreende, ela me acolheu tão bem, de forma tão calorosa, nada acanhada em me receber sem seu véu dentro de sua casa. Uma situação totalmente oposta àquela imagem que muitas vezes criamos por conta dos diferentes costumes. Ela me ofereceu água, me ajudou a conectar na internet e assim eu pude me comunicar com o dono do apartamento. Depois de quase uma hora esperando, finalmente tudo foi resolvido. 😊

Cansados, com frio e fome, deixamos as coisas no apartamento e saímos para comprar comida. Encontramos um mercadinho e uma vendinha local para nos abastecer de hummus e faláfel e uma padaria de onde saía pão pita fresquinho 24 horas por dia. Em todos os lugares fomos super bem recebidos, nossa vizinhança não podia ser melhor! De volta pra casa, tomamos um banho bem quentinho e nos deliciamos com nossa janta super simples, mas muito saborosa. 😊

Enquanto as pessoas geralmente dedicam no máximo 2 dias a Amã, nós ficamos 5. Era aqui que meus pais pousariam no dia 30.01 para viajar com a gente por 2 semanas e, por isso, optamos por ficar uns dias a mais para organizar as coisas. No primeiro dia, só ficamos no apto descansando, montando os planos dos próximos destinos e atualizando o blog.

No segundo dia resolvemos explorar um pouco a cidade antes dos meus pais chegarem. Fizemos um walking tour e assim pudemos conhecer os principais pontos e um pouco mais sobre a história de Amã. A região é habitada desde o período conhecido como “Era do Bronze” (~3.000 a.C.), mas as principais ruínas existentes são da época de domínio romano, quando a cidade era conhecida como Philadelphia. Assim, fomos primeiro conhecer o “Nymphaeum”, uma fonte e banho público do século 2 d.C. Na sequência, passamos pelo souk (mercado) local e, como sempre, me encantei com a variedade de frutas/verduras, castanhas e temperos. 😍 Depois, fomos até o “The Duke’s Diwan”, o edifício mais antigo da cidade (nada antigo se comparado as ruínas, hehe), onde hoje há um café e fotos que recontam a história da região.

O guia ainda nos levou até uma ladeira super charmosa com vários guarda-chuvas no teto e, por fim, nos apresentou algumas das principais referências culinárias da região: o famoso restaurante Hashem (mais info a seguir), a confeitaria Habibah (onde são produzidos os melhores Kanafeh – um doce delicioso com uma base de queijo) e locais para se provar o Mansaf, prato típico da Jordânia. Então, não perdemos tempo e já almoçamos o Mansaf em um dos restaurantes recomendados: o AlQuds. O prato é composto basicamente de arroz, frango ou cordeiro e um molho de iogurte. Pesado, mas bem saboroso! Claro que também deixamos um espaço reservado para provar o Kanafeh e tomar um café turco, uma combinação perfeita! 😋

Bem alimentados, fomos conhecer por conta própria os 2 principais pontos turísticos da cidade: o Anfiteatro e a Citadela. O Anfiteatro é o principal símbolo da conquista romana na região. Com capacidade para 6.000 pessoas, o teatro foi restaurado na década de 1950 e desde então segue bem preservado, sendo até hoje palco de muitas apresentações culturais na cidade.

Já a área conhecida como Citadela fica na parte mais alta da cidade e hoje é um complexo de ruínas de diversas épocas. As principais atrações são as colunas do Templo de Hércules, mais um vestígio da dominação romana na cidade, e a as ruínas do Palácio Umayyad, construído já durante o domínio árabe no século 8 d.C. e com algumas estruturas até hoje bem preservadas, como por exemplo, o hall de entrada com seu domo imponente de madeira reconstruído.

Lá do alto também se tem uma vista impressionante do Anfiteatro e de Amã, com suas construções de rocha calcária, que conferem esse visual incrível à cidade e que a fizeram ser apelidada de “cidade branca”. 🔝😍 | Obs.: para as construções mais recentes, que não são feitas de calcário, existe uma regra para a cor da pintura externa, garantindo assim a perpetuidade da cidade branca.

Nesse giro por Amã, além da história, dos lindos lugares que visitamos e das delícias que provamos, também ficamos felizes em ver como aqui, alguns costumes antigos são questionados. Através da arte, se expressam movimentos pelos direitos das mulheres, crianças e pela diversidade. Isso também se observa no modo em que fomos recebidos nos estabelecimentos, no comportamento das pessoas na rua, pela vizinha que nos recebeu em sua casa… Percebemos que aqui, a religião segue com seu papel importante, mas não menos importante é a necessidade de reflexão. 😊

Depois de um dia cheio, voltamos pra casa e jantamos por lá mesmo. No dia seguinte, passamos a maior parte do tempo em casa e no final da tarde saímos para retirar o carro alugado que usaríamos pelos próximos dias. Aproveitamos ele para primeiramente resolver um problema com meus óculos que tinham ficado na Etiópia e foram enviados por conhecidos pra Jordânia, mas agora estavam presos na alfândega. 🤦🏻‍♀️ Depois de muita discussão, conseguimos reavê-los com sucesso! Por fim, fomos ainda ao shopping, pois o James precisava comprar uma calça nova para enfrentar o frio da Jordânia (uma das calças dele tinha rasgado no barco da travessia 🤦‍♂️). Aproveitamos o mercado do shopping para comprar uns itens para o jantar e outros agrados para as visitas que chegavam naquela noite. 😉

De volta ao apartamento, guardamos as compras, jantamos e por volta das 22:30h fomos ao aeroporto de Amã, onde meus pais pousariam às 23:05h. O processo de imigração e retirada de malas foi bem rápido e por volta das 23:30h já estávamos nos abraçando novamente, depois de 7 meses. Que alegria! 😍 No caminho de casa, paramos na padaria 24 horas para comprar um pão pita bem fresquinho pra eles que também já caíram no gosto do pão, hummus e faláfel. Já era tarde e depois de um longo dia de viagem, eles tiveram um banho merecido e logo fomos todos dormir.

Por conta do roteiro que montamos (já que eles tinham apenas 2 semanas para conhecer Jordânia e Israel), meus pais teriam somente meio dia para passear em Amã. Depois de um bom café da manhã, saímos para mostrar a cidade pra eles (já como guias treinados 😁). Primeiro, fomos à mesquita King Abdullah I, a maior da cidade, que comporta até 3 mil fiéis e tem cúpula gigante encoberta por um lindo mosaico azul. Turistas podem entrar na mesquita, desde que com as roupas adequadas, mas eles oferecem opções no local (ver abaixo). Como era uma sexta-feira, o principal dia de reza para o muçulmanos, pesquisamos inicialmente o horário de visitas, pois elas são mais restritas nesses dias. Foi a primeira mesquita que meus pais visitaram, então foi muito legal ter a oportunidade de ver eles se abrindo a uma nova cultura. 😊

A próxima parada foi na citadela de Amã, que nós já tínhamos visitado. Foi muito bom porque assim pudemos explicar a eles o que já tínhamos lido sobre a história do lugar e do país. E lá do alto eles puderam admirar a linda vista da cidade e se deixar encantar por ela. 😉

O passeio seguiu pelo souk da cidade. Filho de açougueiro e filha de verdureiro, ali meus pais já se sentiram em casa. Eu também não resisto às cores, aromas e sabores de um souk, que nos remetem às feiras do Brasil. Vai ver isso é influência das origens 😂😂😂

Já eram 13h e bateu a fome! Seguimos em direção ao restaurante e, no caminho, paramos mais uma vez no café que fica no edifício mais antigo da cidade pra mostrar a eles fotos antigas de Amã. Também foi legal parar ali porque o local foi mostrado num programa que o Globo Repórter gravou sobre a cidade e que eles tinham assistido para entrar no clima da viagem. 😅

Mas o principal lugar mencionado na reportagem e que todos queriam muito conhecer era mesmo o Hashem, o restaurante mais tradicional da cidade, que funciona ali desde 1952. O local é super simples, mas a comida é tão saborosa que inclusive o rei e membros da família real jordaniana, além de outros famosos, costumam comer por lá. Especializados na culinária local, as estrelas aqui não poderiam ser outras: faláfel, hummus e mtabbal (pasta de beringela, que lembra um babaganoush), tudo isso acompanhando de muito pão pita fresquinho. Dá água na boca só de lembrar. 🤤😋

Depois do almoço “fomos obrigados” a comer novamente o Kanafeh do Habibah e tomar um café turco. Sempre bom ter uma desculpa pra provar de novo esse doce delicioso! 😅 Aproveitando a caminhada necessária depois da comilança, levamos minha mãe até a ruela cheia de guarda-chuvas, que são a paixão dela. Cada louco com a sua mania, não é mesmo!? Por fim, fomos até o anfiteatro e assim fechamos o tour em Amã com eles. Foi corrido, mas bem proveitoso. Tenho certeza que deixou neles uma vontade de retornar e isso pra mim já vale muito. 😊

Pegamos o carro, passamos no apartamento para pegar nossas malas e, abastecidos com muitas tâmaras e castanhas, caímos na estrada rumo ao nosso próximo destino: Petra!

2 respostas a “Amã”

  1. Avatar de Hélio da Silva
    Hélio da Silva

    Não estava em nos planos conhecer o Oriente médio. Foi a GabI e James que nos incentivaram e instiram muito, ficou dificíl resistir. Conhecer Amã e sua história com esses dois guias foi imperdível, apredemos muito e degustamos ótimas comidas árabe.

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  2. Avatar de Vera Nilse Cadore Piazza
    Vera Nilse Cadore Piazza

    Que lugar incrivel , em familia …maravilhoso. Nos deixou com muita vontade de conhecer💥

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