Queóps, Quéfren & Miquerinos – Pirâmides de Giza

13.01.2020 | De volta ao Cairo, dessa vez nos hospedamos longe do centro, mas nem por isso mal localizados (muito pelo contrário! 😁). Na verdade ficamos em outra cidade, Giza. Isso mesmo, quando escutamos falar sobre as pirâmides de Giza, geralmente o que nos vem em mente é que seja um bairro ou uma região da capital do Egito. Mas Giza, localizada a cerca de 20 quilômetros do Cairo, é uma importante cidade, a terceira maior do país, com quase 3 milhões de habitantes.

Quando começamos a planejar nosso roteiro pelo Egito, a ideia inicial era ficar um dia a mais no Cairo e reservá-lo para a visita às pirâmides. Mas em um dos nossos acampamentos em Uganda conhecemos um grupo de motoqueiros sul-africanos que estava rodando o continente. Apesar de não termos simpatizado muito com eles, eles acabaram nos dando uma dica muito valiosa: hospedem-se no hotel Pyramids View Inn, em frente as pirâmides. Dormir e acordar de frente para essas grandiosas e milenares construções é algo que muda toda a experiência de um passeio, tornando-o muito mais envolvente. Aliás, há muitos hotéis por ali e esse tem um ótimo custo-benefício: ~35 dólares com café da manhã e com uma vista que não tem preço. 😅

Então, depois de passar a tarde no trem que nos trouxe de Alexandria de volta ao Cairo, pegamos um Uber e por volta das 17h chegamos no hotel. Fizemos o check-in, largamos as coisas no quarto e logo subimos para o terraço. Ao chegar lá em cima demos de cara com elas: Queóps, Quéfren, Miquerinos e a Esfinge bem na nossa frente! Ver o sol se pondo sobre as pirâmides foi uma cena linda, inesquecível e indescritível!!! Com certeza as fotos expressam muito melhor esse momento do que qualquer adjetivo. E assim fica mais fácil entender porque ficar hospedado ali, de frente para ELAS, faz toda a diferença. 😍😱

O dia seguinte prometia! Agendamos um walking tour através do GuruWalk e às 8h da manhã nos encontraríamos para finalmente conhecer as pirâmides de pertinho. Antes do passeio, teve um café da manhã bem egípcio, com pães, queijo fetta, ovo cozido, tomate, pepino e a melhor vista que poderíamos desejar naquele momento! Cheios de energia, agora sim estávamos prontos para conhecer as pirâmides!

Depois do café, fomos direto para o local marcado, onde encontramos nosso guia e aguardamos outras três pessoas (atrasildos 😤) para finalmente começarmos o passeio. A primeira imagem que se tem ao entrar é muito linda: a Esfinge, bem na nossa frente, nos surpreende pelo seu tamanho. Olhando do terraço do hotel, não parecia tão grande, mas suas expressivas medidas de 73 x 19 x 20 metros fazem dela a maior estátua monolítica do mundo. O rosto da Esfinge é uma representação do faraó Quéfren, que comandava o império à época da sua construção, entre 2558 a.C. e 2532a.C., sendo essa a escultura mais antiga do mundo. O nome Esfinge, no entanto, foi adotado apenas dois mil anos depois de sua construção e está associado a mitologia grega. Sabe-se que outros nomes foram adotados antes disso, mas até hoje nenhuma inscrição que confirme sua denominação original foi encontrada.

Passado o primeiro momento de euforia, fomos explorar a área um pouco mais a fundo. E quando falamos em fundo, é no sentido literal da palavra, afinal, as pirâmides são maciças (até onde se sabe) e a parte que se acessa é subterrânea. Além das três grandes pirâmides que levam o nome dos faraós, na área também encontram-se outras pirâmides menores, destinadas geralmente as suas esposas e filhos. Uma delas está aberta para visitação sem custo adicional e foi essa que fomos explorar.

Adentramos no túnel que leva ao sarcófago e depois de percorrer algumas dezenas de metros debaixo da terra, chegamos no local que há mais de 4 mil anos já abrigou uma múmia da realeza egípcia. Hoje esse mesmo cômodo encontra-se vazio. Ainda assim, estar ali e imaginar tudo o que depositavam no local para que desfrutassem na vida eterna é incrível. Aliás, aqui cabe uma dica: visitar o museu Egípcio, no Cairo, antes de ir a Giza é uma boa imersão na história egípcia. Lá estão muitos sarcófagos e múmias e assim fica mais fácil imaginar todos esses itens dentro das pirâmides ao visitá-las. 😉

É possível também entrar nas famosas Queóps, Quéfren e Miquerinos, mas pra isso é preciso pagar um ingresso adicional. De acordo com o nosso guia, a única diferença entre a que visitamos e as pirâmides faraônicas é que estas tem túneis muito mais longos e câmaras mortuárias maiores. Então, resolvemos poupar algumas libras egípcias para outras visitas, já que templos e museus é o que não falta pelo Egito. 😏

O guia nos explicou que o motivo que faz com que os túmulos encontrem-se hoje vazios, é o mesmo que faz com que essas contruções despertem em nós tanta curiosidade: o seu tamanho. Foi a falta de discrição que fez com que as pirâmides se tornassem alvos bem óbvios de saque. Afinal, a crença na vida eterna após a morte era algo disseminado na cultura egípcia e além do corpo, muitos bens também eram armazenados junto com as múmias. As câmaras mortuárias eram verdadeiros quartos, algumas tinham até mais de um cômodo.

Claro que todo esse processo de mumificação e grandes construções destinadas a abrigá-las era um processo longo e caro, acessível apenas àqueles que pudessem financiá-los. Se as câmaras mortuárias vazias reforçam a teoria de que tenham sido saqueadas, elas também despertam curiosidade e um clima de mistério. Muitos arqueólogos acreditam que as pirâmides não sejam 100% maciças e que ainda há muito a se descobrir sobre o interior delas. Porém, ainda não se tem uma técnica não invasiva que seja capaz de desvendar tudo isso. Enquanto isso, deixamos nossa imaginação fluir. 😉

O processo de construção das pirâmides de Queóps, Quéfren e Miquerinos (pai, filho e neto), também é outro mistério que ainda não foi desvendado. Alguns estudiosos afirmam que pedras enormes eram lentamente arrastadas de uma pedreira até o local. Outra teoria mais recente afirma que os blocos teriam sido fabricados no local e tem até quem fala em forças extra terrestres. 😅 Estima-se que a construção da pirâmide de Queóps, a maior e mais antiga delas, tenha durado 20 anos e utilizado a força de trabalho de cerca de 25 mil pessoas durante esse período.

Em meio a todas essas incertezas, alguns fatos ainda surpreendem. A pirâmide de Queóps, com seus 146,7 metros (atualmente com 137,5 metros por conta da erosão e vandalismo) foi a construção mais alta do mundo durante mais de 3 mil anos, até a construção da torre Eiffel em 1889. As pirâmides de Giza são a única maravilha do mundo antigo que permancem erguidas. Em meio a todas essas incertezas e números expressivos, o que se pode afirmar é que tudo isso torna a visita ainda mais mágica, parece mesmo algo de outro mundo! 😍

P.S.: nosso guia era uma figura e adorava uma foto elaborada. Assim, aproveitamos da boa vontade dele e caprichamos no book de fotos. 😅

Depois dessa super visita, paramos para um almoço que também não deixou a desejar. Por recomendação do guia, fomos num buffet de comida local que ficava ali pertinho. Chegamos cedo e abrimos os trabalhos no Sofra. Estava tudo fresquinho e delicioso. Fica a dica para quem quer fugir de Pizza Hut, KFC e afins. 😋

Alimentados e com as energias recuperadas depois de um café turco, pegamos um uber e fomos visitar o sítio arqueológico de Saqqara, localizado a uns 40 minutos das pirâmides de Giza. Saqqara foi um grande complexo morturário de Memphis, antiga capital egípcia que ficava ao sul do Cairo. Dentre as principais construções do complexo está a pirâmide de Djoser, também conhecida como pirâmide escalonada. Sua construção foi entre os anos de 2630 a.C. e 2611 a.C., sendo considerada a mais antiga construção monumental em pedra do mundo. 😱

Antes disso, as câmaras morturárias reais eram construções retangulares comuns e nada impressionantes, denominadas de mastabas. Djoser queria algo maior, grandioso e assim surgiram as pirâmides. Mas se as mastabas não impressionam pelo seu tamanho e acabamento, não se pode dizer o mesmo sobre o seu interior, com paredes forradas de inscrições, algumas delas até mesmo com as cores bem preservadas. Muitas mastabas podem ser visitadas em Saqqara, que até hoje é o maior complexo mortuário do Egito.

Entramos em algumas delas durante a visita, mas como fizemos essa parte sem guia e com um pouco de pressa, não conseguimos explorar tanto quanto gostaríamos. Se puder, faça o “esforço” e hospede-se por duas noite de frente para as pirâmides. Assim, além de ter essa vita linda por mais tempo, será possível dedicar um dia inteiro ao complexo de Giza e outro ao de Saqqara (visitar com guia também ajuda bastante). Claro que tudo isso depende do seu interesse e curiosidade, mas acho difícil que esses mais de 4 mil anos de história não despertem curiosidade em alguém. 😊

Depois desse dia agitado e cheio de descobertas, voltamos para o hotel para buscar nossas malas e claro, curtir mais um pôr do sol com vista para as pirâmides. E com essa experiência eternizada em nossas memórias, embarcamos no trem rumo a Aswan para seguir desvendando esse país incrível!

2 respostas a “Queóps, Quéfren & Miquerinos – Pirâmides de Giza”

  1. Sensacionais as fotos e a historia. Vai servir de guia pra familia Gomes Martinelli se Deus quiser em muito breve =)

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  2. Que lugar incrivel , sem dúvida a história desse lugar aguça a imaginação de qualquer um. As fotos ficaram demais🤗

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