Lalibela

22.12.2020 | Antes de voltar a Addis, fomos conhecer a emblemática Lalibela e suas igrejas de pedra. Para chegar até lá, pegamos um voo de 1h a partir de Axum e no início da tarde já estávamos em nossa pousada, com uma linda vista para as montanhas da cidade.

Aproveitamos o primeiro dia para descansar e dar uma volta despretensiosa pela cidade. Enquanto caminhávamos, conhecemos um estudante de 2º grau chamado Abrham. Na Etiópia, muitas crianças nos abordavam e, sempre que podíamos, carregávamos umas balinhas para distribuir, sempre evitando dar dinheiro. Porém, o Abrham, ao contrário da maioria das crianças, queria nos conhecer melhor e passamos boa parte daquele primeiro dia juntos. A conversa, é claro, foi regada com muito café. Aliás, cabe aqui uma pausa para falarmos sobre esse grão que é tão importante para o país. ☕️ 😉

A Etiópia é o berço do café, que teria sido descoberto na região de Kaffa, sudoeste do país. De acordo com a história etíope, a descoberta aconteceu em meados do século IX d.C., quando Kaldi, um pastor de cabras, notou um comportamento eufórico dos animais após pastarem perto de um arbusto com pequenos frutos vermelhos. Documentos ainda datados do séc. IX, mencionam uma bebida conhecida como “bunna”, que seria preparada a partir to grão de café seco, torrado e moído. Bunna é como é chamado o café na Etiópia até hoje. Aliás, essa foi uma das primeiras palavras em amárico que aprendemos, e certamente uma das poucas que não esqueceremos… haha 😅

O café é o principal bem exportado pelo país, que é o quinto maior produtor do mundo. Mas como a bebida é também uma paixão nacional, quase metade das 440 mil toneladas produzidas no país anualmente são destinadas ao mercado doméstico. Por falar no consumo interno, tomar café na Etiópia é uma experiência social, um momento envolvente e cheio de costumes, conhecido como cerimônia do café.

A cerimônia acontece nas casas, nos quintais, nas calçadas… na Etiópia, todo canto parece ser um lugar propício para se preparar café. Banquinhos baixos são espalhados no local que é geralmente enfeitado com folhas e aromatizado com incensos. Ali mesmo o grão de café é torrado e moído e o cheirinho é irresistível! Esse modo de preparo e o consumo cotidiano realmente estão enraizados na cultura etíope.

Em todas as cidades que passamos, sem exceção, cruzamos o tempo todo com mulheres preparando o café na rua mesmo. É um momento simples, mas muito rico, repleto de sabor, aroma e afeto. Como bons amantes do café, tivemos muita facilidade em nos adaptar a cultura do país e, desde os primeiros dias, já aderimos o costume. Sentar nos banquinhos e nos juntar ao locais para apreciar um bom café etíope virou rotina pra gente também 😉

Depois de muito café, estávamos cheios de energia. Então, aproveitamos a companhia de um local e, guiados pelo Abrham, saímos para uma corridinha pelas montanhas de Lalibela. Ao fim, fechamos o dia com um lindo pôr do sol e um novo amigo. 😊

O dia seguinte foi exclusivamente dedicado para conhecer as impressionantes igrejas esculpidas na pedra de Lalibela. Resolvemos contratar um guia, o Aynalem, que nos ajudou a entender melhor a história e tradição por trás das igrejas. Pagamos o ticket de US$ 50 cada (caríssimo para um país como a Etiópia) e lá fomos nós desbravar as igrejas.

A história diz que o Rei Lalibela, que também era padre, construiu as igrejas por volta dos séculos 12-13 d.C. com o objetivo de criar uma nova Jerusalém, visto que os cristãos estavam proibidos de visitar a cidade por conta do domínio árabe.

Existem 2 grupos principais de igrejas, totalizando 11, todas esculpidas em pedras maciças, adentrando as rochas como se tivessem sido esculpidas em gesso. A igreja Biete Medhani Alem é considerada a maior igreja monolítica do mundo, enquanto a Biete Ghiorgis é a mais impressionante com seu teto em formato de cruz. As fotos abaixo resumem melhor o trabalho inimaginável pra época (~800 anos atrás). 😱

Por dentro, as igrejas possuem algumas pinturas e esculturas, mas nada se compara à beleza da arquitetura exterior. Tivemos a oportunidade ainda de ver parte de uma celebração cristã ortodoxa em uma das igrejas.

Depois de um dia repleto de muita caminhada e visita, fomos jantar no restaurante Ben Abeba, uma parada quase que obrigatória para quem visita a cidade. O restaurante tem uma arquitetura curiosa (muitos inclusive o apelidaram de OVNI), mas o grande diferencial é a vista para o vale de montanhas que circunda a cidade, além da comida que também é deliciosa. Aparentemente estávamos com tanta fome que até esquecemos de registrar com fotos. 😅

Já na manhã seguinte, decidimos voltar para apreciar e tirar mais umas fotos da igreja Biete Ghiorgis. É impossível não se surpreender com a beleza desse local!

Antes de ir ao aeroporto, encontramos nosso novo amigo Abrham mais uma vez e ele nos presenteou com 2 colares com cruzes de madeira e cachecóis com as cores do país. Retribuímos com uma camiseta minha (James) e trocamos e-mails para manter o contato… Apesar de difícil, seguimos aprendendo a ser menos desconfiados (algo que a falta de segurança no Brasil imprimiu em nosso subconsciente) e abertos a novas experiências. 😊

Uma resposta a “Lalibela”

  1. Experiências únicas …a cerimônia do café, as igrejas esculpidas nas pedras , o amigo que fizeram. Lembranças e experiências para a vida!!

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