Namíbia Road Trip

30.10.2019 | Que viagem!!! Foram treze dias resumidos a muitas belezas naturais, muito calor e muita estrada. Ao todo, foram 4402 quilômetros rodados. 🚚😱

Nossa primeira aventura com uma 4×4 equipada com uma barraca (várias fotos abaixo) começou na África do Sul. Chegamos às 10h da manhã no aeroporto de Cape Town para retirar o carro. Já tínhamos lido que era um processo um pouco demorado, por conta da papelada e de todos os itens a serem checados no carro. Então, já fomos preparados para gastar o tempo que fosse necessário para checar o carro com calma. Já passava do meio dia quando caímos finalmente na estrada e tínhamos pela frente 588km, ou 6 horas de direção, até chegar em Springbok. Essa é a última cidade ‘grande’ da África do Sul, antes de cruzar a fronteira com a Namíbia. 

Chegamos em Springbok por volta das 19h, ainda antes de escurecer, conforme o planejado. O camping já estava reservado (Springbok Caravan Park) e foi tudo tranquilo – banheiro limpinho e água quente pro banho. Abrimos a barraca, jantamos umas sobras de comida que tínhamos levado e por volta das 21:30h já estávamos deitados. Assistimos uma série e logo dormimos.

O despertador para a manhã seguinte estava programado para às 7:30h, mas o sol nos acordou um pouco antes disso rsrsrs. Com nosso ‘liquinho’, cozinhamos uns ovos, esquentamos água e assim tomamos nosso primeiro café da manhã dessa road trip. Antes de seguir viagem, passamos no mercado para fazer compras para os próximos dias. A Namíbia é o segundo país com menor densidade demográfica do mundo, atrás apenas da Mongólia. Por conta disso, um comentário presente em todos os blogs sobre viagens pela Namíbia é que muitos quilômetros serão rodados sem se cruzar com outro carro, encontrar posto de gasolina ou restaurante. Então, aproveitamos que Springbok tinha um mercado grande (Spar) e enchemos o carrinho. Tanque de combustível completo também, era hora de finalmente pegar a estrada rumo a Namíbia. 😃

Pouco mais de uma hora de estrada e já chegamos na fronteira. Foi a primeira vez que cruzamos de um país ao outro por terra aqui na África e o processo de imigração foi super tranquilo, durou cerca de 40 min. Namíbia, enfim chegamos! 🇳🇦


Rodamos poucos quilômetros pelo país e paramos no estacionamento de um posto para almoçar um sanduíche rápido. Porém, ao procurarmos uma sombra, esquecemos de um pequeno detalhe: o carro fica muito mais alto quando se tem uma barraca em cima e acabamos colidindo a barraca na estrutura de metal do estacionamento 🤦🏻‍♀️ 

Prontamente o pessoal do posto veio ajudar e após alguns minutos conseguimos remover o carro dali. O resultado do incidente foi: capa da barraca rasgada e a escada que fica acoplada a ela, entortada. Procuramos um local próximo para parar o carro, pegamos nosso lanche e comemos nosso almoço que teve um gosto bem amargo. Devido a tensão do momento, nem sequer pensamos em tirar uma foto… 😅

Mesmo assim, seguimos em frente. Depois de duas horas de estrada, na torcida para que a estrutura da barraca não tivesse sido danificada de forma séria, chegamos ao nosso camping, o Canyon Roadhouse, no Fish River Canyon. Fomos direto abrir a barraca e, apesar da escada ter ficado torta, ela não tinha perdido sua funcionalidade. A estrutura da barraca estava em ordem também. Enfim, nossa casinha ambulante estava salva. 😅 Decidimos a partir daquele momento esquecer do potencial prejuízo financeiro e curtir o passeio! Afinal, o estrago já estava feito e só nos restava negociar no dia da devolução (aguarde os próximos detalhes!). 😉

Mais tranquilos, aproveitamos para curtir o camping. O Canyon Roadhouse é uma parada obrigatória para quem vai até o Fish River, com sua decoração que mistura carros antigos ‘abandonados’ com a linda paisagem desértica. Eles também dispõem de quartos para quem não quer acampar e ainda têm um bom restaurante, uma raridade quando se está no meio do nada.

Já passava das 16h e o sol estava um pouco mais fraco. Pegamos a estrada novamente até chegar no principal mirante do Canyon, o Fish River Lookout. Esse é o segundo maior cânion do mundo e sua imensidão realmente impressiona! Para quem visita o lugar apenas por um dia, não é possível caminhar dentro do cânion. Para ter esse privilégio, é preciso visitá-lo entre os meses de abril a setembro, quando é organizado um hiking de 4-5 dias, que percorre esse gigante por 85km. Sendo assim, o melhor programa a se fazer por lá é curtir o amanhecer/entardecer e admirar a beleza imponente dessa grande obra da natureza.

De volta ao camping, abrimos a barraca de novo e chegou o novo momento favorito do dia para o James desde que chegamos na África: fazer o fogo e assar nossa janta. Uma grelha cheia de legumes e um pouco de carne. Assador aprovado!!

No segundo dia de Namíbia tínhamos que percorrer 430 quilômetros do Fish River até Luderitz. A estrada nos primeiros 20km era ruim, de areia, mas o restante foi numa ótima estrada de asfalto. O que nos fez reduzir a velocidade já perto da chegada foi uma tempestade de areia. Em alguns momentos a visibilidade ficava bem prejudicada. Seguimos devagar e curtimos mais essa experiência. Tempestades de areia são super comuns nesse trajeto. Quanto mais cedo for (preferencialmente pela manhã), maior a chance de escapar delas. Ainda antes de Lüderitz, passamos por Garub, onde à beira da estrada, nessa imensidão de areia e montanhas avistamos os famosos cavalos selvagens, que como o nome diz, habitam livremente essa região.

Por volta das 15h chegamos no Lüderitz Backpackers, hostel onde passamos a noite. Tínhamos lido que venta muito na cidade e acampar em cima do carro não seria muito agradável. Então, aproveitamos a desculpa e o bom preço da cidade pra dormir num hostel com um quarto e banheiros só pra gente. ☺️

Almoçamos nossas comidas por ali mesmo, descansamos um pouco e aproveitamos a internet enquanto esperávamos o calor dar uma trégua. Por volta das 17h saímos para caminhar pela cidade. Lüderitz foi descoberta em 1487, quando o português Bartolomeu Dias atracou ali e a batizou de “Ilha Pequena”. Posteriormente, em 1883, quando o país estava sob domínio germânico, Franz Adolf Lüderitz se tornou responsável pelas operações entre o porto de Hamburgo e o porto da então Angra Pequena, e assim estabeleceu a colonização alemã na região. Em 1908, com a descoberta de diamantes na região, a cidade atingiu seu auge.

Por conta disso, um dos principais pontos da cidade é uma igreja luterana, a Goerkhause, que pertencia a um importante inspetor alemão na época da exploração de diamantes na região, além de outras construções em estilo germânico.

O passeio terminou com uma caminhada até a Shark Island, que na verdade é uma península. A vista do pôr do sol de lá é linda, daqueles momentos que só a Namíbia pode te proporcionar. Mas, na verdade, o que nos levou até o local foi uma placa em homenagem ao velejador Amyr Klink (James posando com a placa na foto abaixo). Foi daqui que, em junho de 1984, ele saiu em seu pequeno barco e dois remos rumo ao Brasil, mais precisamente, Salvador. Toda essa aventura ele conta no livro “100 dias entre céu e mar”. Nós lemos o livro no ano passado e adoramos. Desde então, a cidade se tornou especial pra gente também e não poderíamos ter deixado ela de fora do nosso roteiro. 

À noite, aproveitamos que a cidade tinha alguns restaurantes e saímos pra jantar. Acabamos indo num português chamado “The Portuguese Fisherman”. Comemos um arroz com frutos do mar delicioso com produtos super fresquinhos! E ainda batemos um papo rápido com o portuga dono do restaurante que era fã de música brasileira. 😉

Outra vantagem de incluir Lüderitz no roteiro é que ela está ao lado de Kolmanskop, a famosa “cidade fantasma” da Namíbia. Na verdade, essa é a atração que costuma levar os turistas até Luderitz. A cidade surgiu em 1908, no meio do nada, no deserto da Namíbia, quando um operário que trabalhava na construção de uma ferrovia, encontrou diamantes no local. Em 1912 a cidade já produzia um milhão de carats por ano, ou 12% da produção mundial. No seu auge, cerca de 1300 pessoas chegaram a viver na cidade, que tinha hospital, escola primária e mercado. Com a mineração intensiva, em 1956 o minério se tornou escasso em Kolmanskop e a cidade foi totalmente abandonada na sequência.

Fizemos a visita guiada para aprender um pouco mais sobre a história do lugar e depois pudemos caminhar pela cidade fantasma, para explorar os casarões por dentro e tirar muitas fotos. Difícil pensar como seria morar num local tão quente e seco como o deserto. Impressionante ver também a areia tomando conta das casas, de tudo, novamente.

Saímos de lá por volta das 11h e pela frente tínhamos 460 km, sendo que 360 km eram em estrada de barro e, por conta disso, o tempo estimado de viagem era de 6h. Seguimos direto, fizemos uma parada bem rápida para comer os sanduíches que tínhamos preparado e, por volta das 17h, chegamos em Sesriem. Por lá, muito, mas muito calor e vento. Tínhamos lido sobre o problema do vento em Lüderitz, mas não por lá. Tudo levava a crer que a noite na barraca seria bem quente, barulhenta e turbulenta. Mas no decorrer da noite o vento foi sessando e o calor também deu uma trégua. O sono foi melhor que o esperado…

Nosso camping, Sossus Oásis, ficava bem em frente à entrada do Parque Nacional de Sossusvlei, onde estão as principais atrações do deserto da Namíbia. Então não nos preocupamos em acordar tão cedo pra ir até lá. O parque abre os portões às 6:30 da manhã e nós entramos por volta das 9h. Uma estrada principal e asfaltada liga os pontos mais procurados do parque. Desde a entrada, dirigimos uns 60km, até o final dela. O destino era o emblemático Deadvlei e a duna conhecida como Big Daddy.

Para chegar até esses lugares, ainda tínhamos mais uns 5km de estrada com areia fofa, que é proibida para carros que não sejam 4×4. Tínhamos lido que mesmo com 4×4, aqueles que fossem inexperientes também deveriam evitar a estrada e pagar o serviço de shuttle. Mas tinha alguém querendo testar suas habilidades off-road (James rsrsrs) e constinuamos pela estrada de areia, atolando já nos primeiros 20 metros rsrsrs. Felizmente foi só um susto, nosso motorista ativou o modo 4×4 e conseguiu sair dali. Habilidades off-road testadas e aprovadas! 

O passeio seguia a pé, mais 1km de caminhada sob o sol de rachar e finalmente chegamos ao icônico Deadvlei, ou Cemitério das Acácias, como é conhecido em português. Acredita-se que há mais de mil anos o rio Tsauchab teve uma grande cheia por conta de fortes chuvas, e suas águas acabaram invadindo o deserto, formando grandes ‘piscinas’ naturais. Depois de 200 anos, com as mudanças climáticas, a areia invadiu o grande pântano e as dunas acabaram bloqueando a passagem de água, transformando o local no deserto que vemos hoje. Por conta da falta de água, as árvores que ali cresceram a cerca de mil anos, não sobreviveram. Mas a mesma seca que impediu as árvores de viver é o que garante que seus troncos não se decomponham, dando uma beleza ímpar ao lugar. O contraste de cores é incrível, um presente da natureza para todos nós e um paraíso para os fotógrafos profissionais – e pros amadores também 😉

O Deadvlei fica aos pés da Big Daddy, uma das maiores dunas do mundo, com 325 metros de altura. O plano era subir a duna, pois dizem que a vista para o Deadvlei de lá é linda! Mas, como entramos no parque um pouco mais tarde, o calor do deserto nos fez desistir. Por outro lado, tivemos o Cemitério das Acácias praticamente só pra gente, já que os tours chegam por lá cedinho e às 11h da manhã poucas pessoas ainda estão por lá. Então ficamos curtindo a paisagem lá debaixo mesmo, nesse lugar que é tão lindo quanto inóspito. Uma beleza indescritível!!!!!  

Passeamos mais um pouco pelo parque, no conforto do ar condicionado, e voltamos pro nosso camping. Fizemos um hambúrguer de almoço, aproveitamos bem a sombra e já no fim da tarde, por volta das 17:30h, com o sol já mais baixo, voltamos ao parque, que fechava às 19h. Por conta do tempo, optamos por subir a duna 45, que fica um pouco mais perto do portão do parque, cerca de meia hora. Pela facilidade de acesso e por seu perfeito formato, essa é uma das dunas mais fotografadas do mundo. Depois de uns vinte minutos de subida lá estávamos nós, no alto dos seus 170 metros, avistando a imensidão de areia do deserto. Que visú!!

De volta ao acampamento, cansados da subida na areia fofa e do calor, foi só o tempo de banho, janta e cama – ou barraca, no nosso caso. 😉

Tínhamos planejado mais um dia em Sesriem caso quiséssemos voltar ao parque. Mas, apesar de não termos subido a Big Daddy, achamos que o dia anterior já tinha sido suficiente por termos voltado no final da tarde. O rápido acesso ao parque é um grande diferencial de estar hospedado ali pertinho, considerando suas restrições de horário de acesso. Além disso, quase ninguém dirige à noite por conta da estrada de terra, então poucos tem a oportunidade de estar no alto das dunas no fim do dia. Melhor ainda é ficar dentro do parque, pois aí é permitido subir as dunas um pouco antes/depois do pôr do sol, que são lindos de ver lá de cima. Mas pra isso é preciso reservar com bastante antecedência…

Voltando a nossa programação, como decidimos não voltar ao parque, aproveitamos para descansar e acordar um pouco mais tarde. Pra fugir do calor, passamos o dia na sombra, escrevemos o blog e resolvemos outras pendências. No fim da tarde, teve monopoly deal e a janta preparada na grelha mais uma vez!

Na terça-feira caímos na estrada novamente. Foram 350km de direção de Sesriem até Swakopmund. No caminho paramos em Solitaire, uma cidade isolada, que tem só um café/padaria, um mercadinho, um posto e um hotel. Solitaire é solitária mesmo, como o nome sugere. A cidade ‘surgiu’ em 1948 quando um casal comprou 33 mil hectares de terra na região para criar ovelhas. Em seguida eles decidiram construir uma pequena cabana com dois quartos e, com o tempo, o local foi crescendo e entrou na rota turística da Namíbia.

Por estar no caminho entre Sossusvlei e Swakopmund, a parada se torna super válida mesmo para quem não vai pernoitar ali. A decoração do Solitaire Lodge é bem peculiar, com carros e outros objetos antigos. Além disso, os pães e doces da padaria são deliciosos, sendo a torta de maçã a estrela!

50 quilômetros depois dessa saborosa parada, cruzamos o Trópico de Capricórnio e obviamente fizemos um rápido pitstop para registrar. Não dá pra perder uma placa dessas, que parece pular dos nossos livros de geografia para finalmente tornarem-se realidade. Já tínhamos cruzado o mesmo trópico nas estradas de São Paulo, mas nunca com essa linda paisagem desértica da Namíbia. Um momento que precisava ser registrado. 😊

Uns 40 quilômetros antes de chegar em Swakopmund, ainda fizemos uma parada em Walvis Bay. A cidadezinha é linda! Paramos o carro à beira da “lagoa” e almoçamos por lá mesmo. Depois, seguimos caminhando pelo calçadão, de onde se pode ver os flamingos, que são a grande atração da cidade. Dirigimos mais um pouco por ali, praticamente “adentrando” o mar. Por lá, se encontram lagoas rosas, outras bem azuis…. efeito causado pela combinação da alta concentração de sal e a presença de microrganismos que liberam substâncias avermelhadas na água. Infelizmente, estávamos cansados e não exploramos tanto esse lugar incrível. Como se pode imaginar, a produção de sal é uma das principais atividades econômicas da região.

Depois de um dia inteiro na estrada, por volta das 17h finalmente chegamos a Swakopmund. Então foi só o tempo de ir ao mercado, fazer a janta e dormir. Quarta foi dia de conhecer mais um pouco dos arredores de Swakopmund e a famosa Skeleton Coast.

A Costa do Esqueleto foi assim apelidada por conta das várias carcaças de navios encalhados que ali permanecem. O vento e nevoeiro fazem a navegação uma tarefa difícil por aqui. Muitos navios encalhados já foram encobertos pela areia, mas ainda se pode avistar alguns pela costa. Esse da foto abaixo encalhou em 2006 e por lá está até hoje.

Outro ponto imperdível da região é o Cape Cross. Uma área protegida, onde milhares de focas vêm à costa para se reproduzir. Foi também nesse ponto que em 1486 o português Diego Cão descobriu essas terras enquanto navegava em busca de uma nova rota para a Índia.

À tarde voltamos a Swakopmund para caminhar no centrinho dessa charmosa colônia germânica. Fundada em 1892, na cidade funcionava o principal porto do então Sudoeste Africano Alemão, a atual Namíbia. Por um momento você acha mesmo que está na Europa. Paramos para um café delicioso no Slowdown Coffee, visitamos o craft market e também a beira-mar da cidade. À noite saímos pra jantar, afinal ter uma boa estrutura de restaurantes é algo raro ao viajar por um país tão desértico. Além disso, tínhamos dicas de umas amigas que estiveram por lá recentemente, então não tinha erro. Fomos no Brewer & Butcher, comemos deliciosos pratos alemães e provamos a cerveja local, produzida artesanalmente ali mesmo.

A quinta-feira foi um dia de estrada. Saímos de manhã, só paramos para nos reabastecer no mercado e logo seguimos viagem. Foram 660mkm de Swakopmund até o Parque Nacional do Etosha, o famoso parque de safáris da Namíbia. Nos últimos quilômetros de estrada já encontramos os primeiros javalis – ou pumbas para os íntimos – que circulam por ali. 🐗😁

Já por volta das 17h, finalmente chegamos no Namutoni Camp, nossa primeira base no parque. Fomos recepcionados com um lindo pôr do sol na savana que nos deixou ainda mais ansiosos para ver o que encontraríamos nos dias de safari por aqui…

Foram três dias de self-drive pelo Etosha. Começamos pela parte norte do parque, ficamos duas noites no Namutoni Campsite. Cada parque nacional tem uma dinâmica diferente quando se trata de encontrar os animais, a estação do ano também é algo que influencia muito nessa busca. No caso do Etosha, o importante é pesquisar bem os waterwholes, ou pequenas lagoas, onde os animais costumam ir para matar a sede e se refrescar. Com essa tarefa feita, a chance de encontrar muitos animais é bem grande por lá! 

No primeiro dia pelo parque, acordamos cedinho, preparamos uns sanduíches, enchemos a térmica com café e antes das 8h da manhã já estávamos no Klein Namutoni, um waterhole que fica a poucos quilômetros do Namutoni Campsite. Encostamos o carro e por ali tomamos nosso café da manhã, enquanto observávamos aquela bicharada toda reunida. É lindo demais ver diferentes espécies interagindo. E assim seguiu nossa manhã, uma linda surpresa a cada vez que chegávamos a uma dessas lagoas. Além disso, ao dirigir entre um waterhole e outro, pegamos uma estrada menor, onde dois leões se refugiavam do sol sob a sombra das árvores. 🦁😱

No fim da manhã, com o sol mais forte, voltamos ao acampamento. Não são só os bichos que precisam se refugiar do calor por aqui rsrsrs. Fizemos nosso almoço, descansamos. James ainda aproveitou para praticar suas habilidades no Ukulele, enquanto eu fiz um treino de corrida pelo campsite. Já passava das 17h quando pegamos o carro e dirigimos novamente até o Klein Namutoni. São menos de cinco minutos do campsite até o waterhole, então a ideia era ficar por ali até as 18:55h e ainda teríamos tempo de entrar no acampamento, já que o portão fechada às 19h.

Ao chegarmos lá não vimos nada muito animador. Poucos animais e nenhuma movimentação. Esperamos um pouco e resolvemos dirigir pelas redondezas e, por volta das 18:30h, quando retornamos à lagoa, a grande surpresa: mais de vinte elefantes estavam reunidos ali! 🐘🐘🐘😍

Eu (Gabi) já tinha lido que esse local era conhecido pela presença de elefantes, mas no tempo que passamos ali durante a manhã não vimos nenhum. Quando voltamos no final da tarde e também não os encontramos, deu um certo desânimo. Mas aí é preciso lembrar de uma importante regra quando se faz safáris: é preciso praticar muito a paciência. Eu repetia isso pra mim mesma e, no fim do dia, a recompensa! Ver um, dois elefantes é lindo. Mas ver um grupo assim grande, um protegendo e ajudando o outro é algo inexplicável. Eram machos, fêmeas, adultos, bebês… famílias inteiras! Muito lindo! Impossível não se emocionar e deixar as lágrimas caírem ao ver tanta beleza. 😍😍😍

Como se não bastasse, rinocerontes pretos também vieram tomar água por ali. Esse é um dos Big Fives em extinção, bem difícil de ser encontrado e nós os vimos ali, bem de pertinho com seu filhote. Teve até um certo momento de tensão entre elefantes e rinocerontes, já que nos grupos das duas espécies tinham filhotes. No geral, nenhum ataque entre eles acontece, mas quando se tem animais indefesos no grupo, o instinto de proteção aflora e os adultos ficam mais agressivos.

No segundo dia a programação não foi diferente. Acordar cedo, preparar o café e sair em busca de um bom visual, de preferência com muitos animais, para o nosso café da manhã. Nesse dia, dormiríamos no Halali, um acampamento na região mais central do parque. Então, no início da manhã voltamos a alguns waterholes que ficavam mais ao norte e depois já seguimos para outros que ficavam mais na direção do Halali.

Nessa mesma manhã, sabendo que os leões são animais territoriais, também passamos novamente no local onde tínhamos encontrado os leões no dia anterior. Pra nossa felicidade a dupla de machos continuava por lá. E melhor ainda, de humanos, só estávamos nós dois por lá!! 😃

Ainda antes do almoço, paramos em outro waterhole e tivemos a sorte de encontrar um rinoceronte preto novamente. Dessa vez ele resolveu não só tomar água, mas também aproveitou para um banho, já que ao meio dia o calor não perdoa rsrsrs.

Não era só o rinoceronte que precisava se refugiar do sol, então fomos até o Halali, nosso campsite da noite, em busca de uma sombra para almoçar. Ficamos ali por algumas horas e, no fim da tarde, quando refrescou um pouco, saímos à ‘caça’ novamente.


O primeiro waterhole que visitamos nesse fim de tarde foi o Rietfontein. Por lá, a reunião era das girafas, que pareciam sedentas. Ver elas tomando água, se esforçando para manter o equilíbrio e não caírem no waterhole enquanto matam a sede, é engraçado e também super especial. Mas na natureza nem tudo ocorre como o planejado. Enquanto as girafas tomavam água tranquilamente, um leopardo apareceu no local e parecia estar à procura de comida. Nesse momento, a água pra elas ficou em segundo plano e proteger o filhote virou prioridade. Discretamente, o grupo foi saindo em busca de um local mais seguro para se abrigar.

O último waterhole que visitamos no segundo dia pelo Etosha foi o Salvadora. Por lá, cinco leoas descansavam à beira da lagoa. As vimos um pouco mais de longe, mas ao encontrar o grupo ficamos esperançosos para ver uma cena de caça, já que geralmente são elas as responsáveis pela busca de alimento. Além disso, a caça costuma acontecer nos horários mais frescos e nós estávamos lá bem no fim do dia. Mas depois de algum tempo aguardando uma movimentação, pessoas mais experientes nos disseram que podiam ver a barriga delas bem cheia e que por conta disso a caça provavelmente já tinha acontecido… Mas pra fechar o dia com chave de ouro, na volta pro acampamento, um leão atravessou a rua bem atrás do nosso carro. Apesar do tamanho, quase não o vimos. Novamente éramos só nós e o leão ali por alguns minutos. Voltamos ao acampamento extasiados!🦁😃

No nosso último dia pelo Etosha, o show foi dos felinos! Mal saímos do nosso acampamento e um leopardo atravessou a estrada na nossa frente. Ficamos dirigindo lentamente, só acompanhando os passos dele pela savana.


Quando o perdemos de vista, seguimos até o walterhole Salvadora, onde tínhamos encontrado o grupo de cinco no dia anterior. Ao chegarmos lá, uma grande surpresa, eles estavam ali de novo e, dessa vez, bem pertinho. Era uma mãe com seus dois filhos, curtindo momentos em família. Aproveitamos e tomamos nosso café da manhã ali, muito bem acompanhados. Eles caminharam entre os carros, pareciam até fazer pose. Ficamos por ali mais de uma hora só admirando os reis da floresta!

Depois desse show dos leões, continuamos dirigindo em direção ao sul do parque, de onde sairíamos no meio da tarde rumo a Windhoeck, a capital da Namíbia. Paramos em alguns waterholes que estavam no nosso caminho para dos despedir de todas as espécies e no início da tarde cruzamos o Andreson’s Gate, o portão mais perto de Windhoek. Assim terminaram nossos três inesquecíveis dias por esse parque incrível!

Nesse dia acampamos em Outjo, no Etotongwe lodge. A cidade fica a 1h do Anderson’s Gate e a apenas 3h da capital. Assim, reduzimos um pouco o tempo de estrada do dia seguinte para devolver o carro com calma – ainda tínhamos que resolver com a locadora o estrago que fizemos ao emperrar a barraca na cobertura do posto logo no segundo dia de locação. Mas antes de falar sobre o fim dessa história, não podemos deixar de registrar nosso último pôr do sol na Namíbia. Momento único, lindo demais!

Chegamos em Windhoek por volta das 11h, fomos até o hostel deixar as nossas coisas e depois seguimos direto para o aeroporto, onde devolvemos o carro. Preocupados com o estrago na capa da barraca e, principalmente na escada, que era parte da estrutura dela, pesquisamos o valor de uma barraca nova para nos prepararmos para a negociação. Cerca de 1500 USD (ainda bem que não pesquisamos antes)! 😬😵

Mas logo que chegamos lá a tensão passou… uma atendente super simpática veio nos atender. Com um sorriso no rosto, perguntou como tinha sido a viagem e, pela recepção dela, já ficamos mais aliviados. No fim, cobraram apenas o 30USD para o conserto da capa da barraca e disseram que a escada consertariam ali mesmo, sem custos. Super aliviados e felizes, fomos embora na certeza de que esse é um passeio a ser repetido. Alguém é parceiro? 😉

Uma resposta a “Namíbia Road Trip”

  1. Incrível , do canyon , ao deserto , praias e lagoas de animais das mais variadas espécies . Que diversidade, que maravilha

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